Clarissa entrevista: Rosimeire Souza e Rafael Maia, autores de O Sumiço dos Novelistas:



1     Nos conte um pouco sobre a vida de escritor de vocês.


Rosimeire – Em primeiro lugar, quero agradecer a você Clarissa Rachid, a oportunidade dessa entrevista e aproveito, também, para mandar um beijo a todos os leitores do blog do Balaio.
Minha vida de escritora é o de amor pela escrita. Amo, realmente, o que faço.  Esse amor teve seu início na fase da adolescência, onde colocava sobre as folhas de papel toda minha imaginação e meus sonhos. O gosto pela escrita, acredito, começou devido ao fato de eu gostar de ler livros e de assistir novelas (via todas, todos os canais ao mesmo tempo). Esse amor estendeu-se até os dias de hoje, onde dedico parte do meu tempo a escrever. Minha formação é a Teledramaturgia, com graduação  de Autor Roteirista de TV e Pós Graduação de Roteiro de Cinema. Escrevo de tudo um pouco: livros, roteiros de tv, cinema, comerciais, dramaturgia, mas, ultimamente, tenho me dedicado a literatura. Os livros tem sido minha prioridade, em especial, os romances, que sempre foram minha paixão.

Rafael - Olá leitores do blog do Balaio! É um prazer estar aqui... Bem, considero nos tempos atuais a vida de escritor uma verdadeira aventura diária. No meu caso concilio o mundo real com universos ficcionais  e inspirações de personagens que se tornam reais na minha imaginação, e consequentemente são transpostos para o computador. Ultimamente tenho acostumado a escrever no papel, também, um hábito que não tinha antes. Gosto de manter um bloquinho por perto e anotar tudo que me vem a cabeça e seja criativo. Minha escola de formação é a teledramaturgia, sou formado em Autor roteirista de TV, tenho pós em Roteiro de Cinema e terminei no ano passado a especialização de Film & Television Business na FGV. Minha paixão pela escrita não aconteceu em um processo natural, pois não era bom aluno em português, mas adorava literatura e ler histórias. Sempre fui extrovertido, mas tinha meu mundo particular, inacessível a todos. Meu interesse pela escrita se deu devido a um grande trauma de infância, fiquei um tempo sem conseguir falar e dessa forma só me comunicava pela escrita. A partir dai, tive que melhorar meu vocabulário, tornei o dicionário meu grande amigo e nunca mais parei de escrever e nem de ler.


      O fato do livro ser escrito por duas pessoas torna o trabalho mais fácil, por ter alguém para compartilhar o trabalho, ou mais difícil, por serem duas ideias diferentes?


Rosimeire - Posso dizer que escrever a quatro mãos é somar a criatividade um do outro. No meu caso e do Rafael, essa soma tornou o trabalho mais fácil. Eu ia acrescentando às ideias dele e ele ia acrescentando às minhas ideias.
Dessa forma, o nosso trabalho tournou-se mais produtivo. Mas, mesmo com essa soma de criatividade, tivemos algumas divergências e brigamos por nossas ideias, mas nada que viesse denigrir o bom desempenho da trama e o resultado final do livro.

Rafael - No nosso caso, o início partiu de uma única ideia, então facilitou a criação de nossa história à quatro mãos. O interessante de escrever em dupla é a possibilidade de trocar ideias sobre o enredo com outro escritor que está mergulhando a fundo na mesma ficção. Tivemos divergências sobre a condução de nossos personagens, mas como somos amigos, há quase oito anos, chegávamos sempre a um consenso. O saldo final foi positivo e aconselho os novos escritores a lançarem livros em parcerias. São novos pontos de vista que se juntam aos seus e dessa mistura surgem ideias e boas histórias.




O que o leitor irá encontrar no seu livro?


Rosimeire – O leitor, com certeza, vai se divertir com as aventuras e desventuras dos Roteiristas da história. O livro trata, de forma cômica, as adversidades que os personagens encontram na busca pela realização de seus sonhos profissionais. Apesar de ser uma trama ficcional, ela retrata a dificuldade que existe na profissão de um Roteirista aqui no Brasil.

Rafael - Com certeza irão encontrar boas risadas, pois era o objetivo principal quando optamos pela escrita desse livro. Transformar a luta em busca de oportunidade e as decepções dos roteiristas em uma história leve, de sátira bem humorada e com forte veia cômica. Ainda colocamos um ritmo bem interessante na reta final do livro, nada planejado, simplesmente aconteceu. Escrever a quatro mãos tem dessas surpresas. 


Como surgiu a ideia da história?


    Rosimeire -  A ideia surgiu quando eu e Rafael participávamos do curso de especialização de Film & Television Business na FGV. As aulas eram longas e, em uma dessas aulas, um dos professores falavam da dificuldade da profissão. Enquanto ele falava, eu pensava: se é assim, não tenho chance de ver nenhum projeto meu ser aprovado, porque não tenho dinheiro para investir e as emissoras de televisão não abrem oportunidades. Então, como vou conseguir trabalhar como Roteirista? Foi aí que surgiu a ideia de escrever um livro. Disse para uma amiga que estava a meu lado e que pensava da mesma maneira:
- Vou escrever um livro com o título: “O Sumiço dos Novelistas”. Meses depois, a ideia persistiu e resolvi convidar o Rafael para escrevermos o livro juntos.

Rafael - Certo dia, estávamos saindo do curso de especialização de Film & Television Business na FGV, um pouco confusos com a falta de oportunidade no mercado televisivo, quando Rosimeire contou a ideia de escrever um livro sobre o sumiço dos novelistas, achei interessante e bem criativo o tema. Algo inovador e nunca explorado em nenhum segmento, seja literário, televisivo ou cinematográfico. É uma ideia original. Depois de alguns meses, recebi o telefonema da Rosimeire me convidando para escrever o livro com ela.



    O livro “O Sumiço dos Novelistas” é o primeiro livro publicado? Existe planos para uma nova obra?


Rosimeire - Não, o livro “O Sumiço dos Novelistas” é o terceiro livro que publiquei. O primeiro romance “A Força do Amor” foi publicado depois que ganhei um concurso de literatura em 2003, o segundo livro com o título de “Narrativas curtas: Contos e Crônicas de Autores e Roteiristas” escrevi com o Rafael e alguns amigos da faculdade, quando fazia a graduação de Autor Roteirista em 2008. Está previsto para Setembro, deste ano, o lançamento do meu próximo livro de título: “Onde está o seu coração?” Um romance com aspectos do cristianismo.

Rafael - No meu caso, é o segundo. Tivemos outro livro publicado no ano de 2008, escrevemos após a graduação de Autor Roteirista e foi lançado em parceria com alguns amigos roteiristas. Trata-se de um livro de contos e crônicas. Em relação a continuação do Sumiço dos Novelistas, o livro deixa, sim, espaço para uma continuação, mas no momento estamos em contato com  uma produtora para adaptar o livro em roteiro de longa-metragem. O enredo do nosso livro se encaixa bem ao reflexo do cinema brasileiro atual.


        Qual a maior dificuldade em publicar um livro no Brasil? 


    Rosimeire - As editoras dão muito pouco espaço para os autores iniciantes. O fato de demorarem meses ou anos para aprovarem ou não seu original, dificulta a caminhada daqueles que querem entrar no mercado literário. Algumas editoras até respondem, mesmo que não tenham interesse na obra. Outras, ignoram. Existem aquelas que aprovam, mas cobram um valor absurdo para publicar seu original: 16 mil, como aconteceu comigo. Detalhe: Esse valor é para os novos escritores. No fim de tudo, só nos resta investir na autopublicação que é a melhor forma de ver seu livro publicado.
  
    Rafael - Ainda considero alto o valor cobrado pelas editoras para publicação de um livro no Brasil. Está cada vez mais caro lançar um livro com elementos necessários para ter reconhecimento e alcançar visibilidade no Brasil. O investimento é alto em relação a custo benefício.  A solução é seguir o caminho que fizemos como nosso livro: a autopublicação. 


Como é feita a divulgação?



Rosimeire – A livraria ajuda um pouco, porque seu livro fica exposto nas prateleiras, mas as redes sociais é uma das melhores opções. Prova disso é o fato de estarmos aqui dando essa entrevista para o blog do Balaio. Foi através da divulgação pela internet que recebemos o convite da Clarissa Rachid para participar dessa entrevista.
Com a divulgação pela internet, conseguimos vender toda a primeira tiragem. Sem contar com os amigos e parentes, que dão sempre uma forcinha.

Rafael - Fizemos toda divulgação do livro nas redes sociais e em alguns sites especializados, que fizemos parcerias.  É uma nova plataforma de divulgação e atinge muito mais do que deixar o livro a venda nas livrarias. Fizemos um planejamento de marketing, com base nas aulas de publicidade e merchandising, que tivemos em nossa graduação de Autor Roteirista e dessa forma, conseguimos vender toda primeira edição do livro.

     
Na opinião de vocês o que falta no Brasil para que os livros nacionais sejam mais reconhecidos? 


Rosimeire - Falta a valorização do escritor brasileiro. As grandes editoras abrem pouco espaço para novos autores. Com isso, o mercado da autopublicação cresceu. Os empresários perceberam que esse mercado é pequeno, com pouco espaço para os autores novos, devido a pouca abertura que as grandes editoras dão para aqueles que querem entrar no mercado literário. Fica difícil para nós, novos autores, saber o critério usado por eles na escolha de seus textos, pois não existe um contato para explicar o motivo que os levaram a não publicação de sua obra. Acho que o governo poderia investir na literatura como uma forma de isentivo aos novos autores e a cultura brasileira. Precisamos de mais concursos literários e uma maior abertura nas editoras, rádio, tv, jornais e redes sociais.

Rafael - Falta oportunidade de valorização dos escritores brasileiros, que na maioria deles, está fora do padrão adotado pelas grandes editoras. Precisamos de novas aberturas do mercado editorial e também de mais interesse do Governo em apoiar iniciativas de promover novos escritores, criando oportunidades de reconhecimento profissional, além de remuneração adequada em concursos e prêmios literários, com repercussão na mídia e em veículos impressos. 



Gostaríamos de agradecer ao carinho e a atenção de vocês em aceitar participar da entrevista. A nossa intenção é promover e incentivar a leitura de livros nacionais. Temos grandes escritores e poucos são devidamente reconhecidos. 
O Blog do Balaio admira e apoia os escritores brasileiros.



7 comentários :

  1. Oi Clarissa!
    Parabéns pela entrevista, ficou ótima :)

    Beijos!
    Fernanda (http://blogimaginacaoliteraria.blogspot.com.br)

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  2. Os autores estão de parabéns pela entrevista e, não deixem de ler o livro, pois é realmente muito interessante e, uma história inovadora.

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  3. Clarissa!
    Entrevista muito bem conduzida. Pudemos analisar um pouco o conteúdo do livro e a trajetória dos autores.

    Van!
    Agradeço a visita feita ao blog, obrigada!
    Bom final de semana!
    cheirinhos
    Rudy
    Blog Alegria de Viver e Amar o que é Bom!
    " Dificil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama.
    Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer.”(Bob Marley)

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  4. A entrevista ficou genial e me deixou morrendo de vontade de ler o livro que os autores escreveram.
    Tenho certeza de que se trata de tema muito interessante, o qual vou ler com muito prazer.
    Meus parabéns aos dois!

    Lourdes de Buenos Aires

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  5. Parabéns , Que Deus abençoe cada vez mais..Lorrayne

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