O Caderno Rosa de Lori Lamby - Hilda Hilst - por Clarissa Rachid:



Livro: O Caderno Rosa de Lori Lamby
Autora: Hilda Hilst

Sinopse:

O livro, em grande parte escrito na forma de diário, apresenta uma menina de oito anos que vende seu corpo incentivada por seus pais proxenetas. A obra é, sim, obscena e põe em cheque a moralidade dos leitores, pois é quase impossível realizar uma leitura frígida dos relatos de Lori Lamby. Mas, apesar do impacto inicial causado pelo tema da pedofilia, o livro vai muito além. A própria literatura é alvo de obscenidades: gêneros intercalados, cartas, relatos, citações pervertidas de grandes autores como D. H. Lawrence, Henry Miller ou Georges Bataille e um Caderno negro dentro do Caderno rosa de Lori. Aquilo que, a princípio, aparece no texto como possíveis e singelos erros de escrita de uma criança recém-alfabetizada aponta para um estudo lexicológico, para uma etimologia das sensações fazendo soluçar a gramática.
"O Caderno Rosa de Lori Lamby" ainda guarda um segredo sobre o verdadeiro narrador da história. Apesar da obviedade do título sugerir que a pequena Lori Lamby é a narradora-personagem de seu caderno, é possível levantar dúvidas a esse respeito já que seu pai - gênio incompreendido - resolve escrever "bandalheiras" seguindo o conselho de seu editor.
Neste ponto reside o aroma de crítica ao mercado editorial e a sua avidez por best-sellers e temas consagrados como a pornografia.”

Minha opinião:

OBS: "Primeiramente eu gostaria de sugerir que cada pessoa leia com atenção a sinopse do livro e decida se realmente quer ler esta resenha. O livro fala sobre um tema bastante pesado e é compreensível que alguém não queira continuar com a leitura da resenha".

Eu conheci esse livro pelo canal do youtube da Tatiana Feltrin. Ela falou sobre ele em um vídeo e a reação dela foi de completo choque em relação ao tema. Assim que a história foi sendo passada a primeira coisa que eu imaginei foi: “como uma editora lança um livro desse?”. E então, mesmo com um tema bastante complicado, eu decidi ler.
O livro fala sobre a história de uma menina de oito anos de classe média e que tem um pai escritor. Mas nada que o pai escreve faz sucesso e por isso a família não tem muito dinheiro. Os pais então incentivam a menina a vender o corpo e fazer favores sexuais em homens bem mais velhos para conseguir dinheiro e comprar as coisas que deseja. Depois de um tempo o pai recebe uma proposta para escrever um livro erótico e ela acha a ideia legal e decide escrever seu livro contando suas próprias histórias sexuais.
O livro é escrito como se fosse um diário onde ela conta o que acontece com os pais e o que ela faz com os homens que vão ao quarto dela. Tem uma escrita bem infantil onde tem erros de português e palavras típicas de uma criança. Nas primeiras páginas já dá vontade de largar o livro. É bem obsceno e escrito de forma bem pobre, com diálogos e frases mal escritas. Me lembrou os filmes de “pornochanchada” brasileiro. Ele conta em detalhes o que a menina fazia para os homens, como ela se portava, aonde eles tocavam, aonde ela colocava a boca, enfim... conta tudo.
            Conforme a história vai sendo contada a gente se revolta com os pais e ao mesmo tempo se revolta por ser uma situação real em muitas cidades do Brasil. Eu continuei lendo para saber qual seria a punição dos pais e os efeitos que teria tais atos no comportamento da menina. A descrição dela das relações sexuais dão nojo e existem histórias que não deveriam estar no livro de jeito nenhum. Em momento algum ela se mostra triste, forçada ou até mesmo arrependida das relações. Pelo contrário, ela fica feliz pelo dinheiro que recebe e sempre pensa nos objetos que poderá comprar.
            Só no final do livro você entende o que realmente estava acontecendo dentro da casa, a importância que o livro do pai dela tem e a visão que a menina tinha de toda a atmosfera em torno daquele livro. A partir daí a história se torna menos repugnante mas não menos chocante.
            Eu como leitora não consegui entender o que leva uma autora a escrever e a publicar um livros deste. A própria Hilda foi uma escritora incompreendida que escreveu vários livros “sérios” que não foram devidamente reconhecidos. A única explicação é que “O Caderno Rosa de Lori Lamby” foi algum tipo de ato de revolta da escritora. O que não explica ainda como a editora concordou com sua publicação.
            Depois que passa o choque da leitura e você vai analisar friamente a história, você percebe que toda a frustração que a Hilda tinha de não ser reconhecida foi retratado como a figura do pai. Como estudante de direito e pensando mais no conceito social, eu consegui extrair um pensamento importante do livro: “Até que ponto a palavra de uma criança pode ser considerada indiscutível e confiável para se julgar um acusado? Dizem que criança não mente, será? E se mente, como provar?” Eu adoraria entrar mais no mérito da pergunta e discutir a resposta se baseando na história do livro, mas eu não consigo fazer isso sem dar spoiler.
            Costumo pensar que toda leitura, por pior que seja, nos acrescenta em algo. Este livro, sinceramente, não me acrescentou em nada e eu acredito que ele não deveria ter sido publicado. A escrita é péssima, a qualidade de literatura é péssima e o tema é absurdo.

            Geralmente fazemos resenhas para incentivar a leitura dos livros, mas nesse caso eu não eu indico a ninguém. Como diz a Tatiana Feltrin: “Leia por conta própria”.

O livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/1804-o_caderno_rosa_de_lori_lamby




8 comentários :

  1. Oi Clarissa :)

    Eu vim ler sua resenha, por causa do vídeo da Tati (adoro ela). O livro realmente adota um assunto meio... né? Não vou lê-lo, pois pelo o que você disse, já percebi que vai ser horrível. Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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  2. Oi Clarissa!
    =)

    Eu estou lendo um livo e contos super antigo, que também aborda uns temas muito bizarros. Eu acredito que eles são montados pensando nisso já. Em ética e moralismo!
    É estranho e não acrescenta nada, mas coloca seus valores em jogo!
    =)

    Ótima resenha!

    Mil beijos
    Silêncio Que Eu To Lendo

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  3. Oi Clarissa

    Que livro é esse??? Não conhecia e não pretendo ler. Fiquei chocada e me perguntando o que levou a escritora escrever um livro assim...

    Beijos

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  4. Eu gosto de livros com temas fortes como esse.
    Fiquei curiosa para ler, imaginando como tudo foi tratado.
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  5. Oi Clarissa! Oi Van!
    Eu também vi o vídeo da Tati e fiquei, de certa forma, curiosa para ler o livro. Sei que o tema é forte e tenho certeza de que vou sentir o mesmo nojo de certas partes assim como você sentiu. Mas, infelizmente, é um faro que acontece não somente nos livros. Infelizmente tem meninas que, com toda certeza, passaram e ainda passam por situações parecidas.
    Não sei quando lerei, afinal é um livro que exige um preparo da parte do leitor (por mais que tenhamos uma base do que encontrar), mas é algo que pretendo fazer ainda esse ano.
    Beijos e parabéns! Sua resenha ficou maravilhosa.
    Coisas de Meninas

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  6. Nossa, achei repugnante mesmo, acredito que não leria esse livro.

    xoxo
    http://amigadaleitora.blogspot.com.br/

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  7. Oi Clarissa admiro sua sinceridade e acho que bem por ai, grande parte do trabalho dos blogs literários é compartilhar ou NÃO neste caso te dou todo o apoio e acho que não leria algo assim TÃO pesado.

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  8. Olá Clarissa,

    Essa é a primeira resenha que leio do livro e realmente vejo que não vale a leitura, gostei de saber mais sobre a obra, mas somente isso...abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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