Confiram a entrevista com as primeiras leitoras de "Evelina" no Brasil:

Nesta entrevista, a tradutora Gabriela Alcoforado e a editora Chirlei Wandekoken abrem seus corações de fã e falam da semelhança entre as obras de Burney e Austen.


Gabriela, qual foi a sua experiência na tradução de “Evelina”?
No início achei muito difícil, pois eu não conhecia nada de Frances Burney. Mas, à medida que fui traduzindo, me apaixonei pela história e o trabalho rendeu muito. Outra coisa bastante difícil foi manter o vocabulário da época, rebuscadíssimo e, ao mesmo tempo, usar outro, mais vulgar, para os personagens vulgares. Mas foi muito prazeroso traduzir “Evelina”. Quando acabei, confesso, senti saudades.

Chirlei, como você classifica “Evelina”?
“Evelina” é inusitado, lindo, com muitos personagens. Enfim, um clássico que figura entre meus preferidos. Tenho certeza absoluta que vocês amarão Fanny Burney, pois eu já a vejo como uma extensão do legado de Jane Austen.

Vocês, de fato, acharam o estilo de Frances Burney parecido com o de Jane Austen?
Gabriela – Para ser bem sincera, o estilo é extremamente igual, com ênfase na redundância (risos). Mas estou proibida de falar no assunto. Não me pergunte mais nada sobre isso (risos).

Chirlei – “Evelina” é um romance de excepcional semelhança com o estilo Austen. Enquanto eu o lia – coisa que fiz num fim de semana prolongado – era como se eu estivesse lendo Jane Austen. Fiquei emocionada e felicíssima. Engoli o livro, pois, percebi, que, para mim, as obras de Austen (que eu já li e reli todas) não haviam acabado. Havia uma continuação, a inspiração estava ali, intocada. Isso me deu um novo vigor, não só como editora, mas como fã mesmo.


Qual a obra de Austen vocês acharam mais parecida com “Evelina”?
Gabriela – Na verdade eu achei um pouco de cada obra de Austen em “Evelina”. Tem uma parte em que Mr. Villars, numa carta para Evelina, diz: ‘Lord Orville aparenta ser de uma melhor ordem de seres. Sua espirituosa conduta com o torpemente impertinente Mr. Lovel e sua ansiedade por você após a ópera, provou-lhe ser um homem de senso e sentimento.’ Quando li isso, foi inevitável não imaginar Jane Austen com seu exemplar de “Evelina” nas mãos, destacando o trecho com uma pena recém-mergulhada em tinta (risos). Em outra parte, numa carta de Evelina para Mr. Villars, ela escreve: ‘Parece não haver fim para as confusões da noite passada. Neste momento estou entre a persuasão e o riso [...].’ Ao ler este trecho, lembrei imediatamente de “Persuasão”, mas há personagens em “Evelina” que me lembram outros em “Emma”, em “Razão e Sensibilidade” e em “Mansfield Park”. Neste último, a situação vivida por Fanny Price e seu berço, do qual ela se envergonhava; depois, já na casa da tia, a forma desdenhosa com a qual ela era tratada pelas primas; a proteção e o cuidado recebidos do polido e bom-caráter Edmund Bertram, isso tudo tem referência em “Evelina”. Assim como as futilidades das jovens Bertram; o rico e estúpido Mr. Rushworth e o pai de Fanny, um personagem vulgar da Marinha.

Chirlei – O herói tem o mesmo estilo de Mr. Darcy, às vezes lembra Mr. Edmund Bertram, de “Mansfield Park”. Mas a semelhança dos personagens de “Evelina” com os de “Orgulho e Preconceito” é imensa. A própria Evelina é muito parecida com Elizabeth Bennet e com a própria Jane. Os episódios também são semelhantes: o primeiro encontro de Evelina com Lord Orville é muito parecido com o de Elizabeth e Darcy.

O que vocês podem destacar do estilo de Austen no modo de escrever de Burney?
Gabriela – Ambas eram irônicas demais! E posso afirmar que “Evelina” é imperdível e apaixonante.

Chirlei – A mesma forma de falar, o tão recorrente “ouso dizer…” das obras de Jane. Ambas têm humor satírico, irônico. Ao contrário de Austen, Burney frequentou a corte e, portanto, ela satiriza com propriedade a pequena nobreza da Inglaterra. Seu humor é muito parecido com o de Austen, é poderoso, perspicaz, ela não se importa se o personagem é um lord ou um prateiro para classificá-lo de vulgar.


Qual seu próximo projeto?
Gabriela – Minha próxima obra, já em tradução, é “Margareth Hale” (“Entre o Norte e o Sul”). Também já está comigo para tradução “A Vida de Charlotte Brontë”, também por Elizabeth Gaskell, que era para 2014, mas foi adiada para 2015.

                                                   http://www.pedrazuleditora.com.br/


4 comentários :

  1. Nossa, que bacana! Adorei saber, deve ser o máximo com isso :) receber tudo em primeira mão hahah

    Beijos
    Nati

    www.meninadelivro.com.br

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  2. Huuuum,muito bacana mesmo essa entrevista. E concordo com o que a menina disse ali em cima,é o máximo receber tudo em primeira mão *-*

    http://www.meianoitebr.com/

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  3. Essa é uma editora nova, né? Eu vi alguns comentários sobre o livro e não sabia exatamente sobre o que era... Adorei a entrevista!

    http://pronomeinterrogativo.com.br/

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  4. não conheço este livro, mas adorei a entrevista!
    vou atras de mais informações sobre! *-*

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