O Início de Um Livro Ainda Sem Nome.

Olá.

Fiz uma entrevista a algumas semanas com a escritora Babi Barreto e nessa entrevista eu mencionei que conheci ela devido a um projeto de livro que eu tinha. 

Recebi algumas mensagens me pedindo para divulgar o livro. Como toda escritora iniciante, sou bastante insegura (rsss). Mas decidi divulgar aqui no blog o início do livro (que ainda não tem nome).

Gostaria da opinião sincera de vocês. Podem criticar, dar dicas, etc.




"Capítulo I


SAMIRA 

Se não fosse a quarta vez que escuto meu celular chamando, juro que não levantaria da cama hoje. Estou sentindo meu corpo inteiro doer a cada pequeno movimento que realizo. Abro os olhos e sinto minha cabeça latejar devido à claridade do sol que entra pela janela. Cerro os olhos e viro para a direita com a esperança de conseguir enxergar as horas no meu pequeno despertador em cima da mesinha de cabeceira. Meus olhos demoram, mas se acostumam com a claridade e consigo ver que são nove horas da manhã.

- Será que não se pode ter paz em pleno domingo? – Pergunto para o teto do meu quarto que é cheio de estrelas que brilham quando está de noite.

Obrigo-me a sentar e vejo que minha cama está arrumada, o que me faz ter certeza que simplesmente cheguei em casa e cai direto na cama. Além disso, estou com a mesma roupa que saí ontem, uma calça jeans e uma blusa de alça azul com detalhes em renda. O grande problema é que nem me lembro de ter bebido tanto assim pra ter tanta dor de cabeça e não faço a menor ideia de como cheguei em casa. Meu telefone toca mais uma vez e eu aceito a ideia de que vou ter que atender.
Levanto com certa dificuldade, sentindo todos os músculos rígidos. Vou em direção ao celular que está em uma bancada de pedra que divide a sala da cozinha. Passando pelo corredor onde ficam as portas dos outros quartos da casa, vejo que elas estão abertas. No quarto da Nádia está tudo uma bagunça, como sempre, mas nem sinal dela. Já o de Kira está perfeitamente organizado, com seus livros, roupas e bonecas decorativas tudo em seu devido lugar. Provavelmente as meninas acharam algum lugar melhor para dormir ontem de madrugada e devem estar ligando para dizer que não devem voltar pra casa tão cedo.
Nosso apartamento é cheio de decorações alegres. Lustres coloridos, velas aromatizantes, porta-retratos em todos os lugares e pequenos enfeites. Tudo isso graças a Nádia que não consegue passar no mercado e não comprar alguma coisa. É uma casa aconchegante, são três quartos pequenos, copa, cozinha e banheiro. Mas, graças a minha dor no corpo e na cabeça, ir do meu quarto até meu celular foi uma viagem. 
Olho para o celular e treino a melhor voz “não estou com sono” que consigo. O que acabou não dando resultado.  

- Alô?
- Suas amigas não vão sobreviver por muito tempo, me dê os desejos ou elas morrerão – Disse um homem com uma voz rouca, parecendo que passou a vida inteira fumando.
            - Amigas? Desejos? Do que você está falando? - Minha voz saindo com descrença e sono.
- Procure o vidente e não se esqueça de levar seu presente de aniversário. Quanto mais demorar, mais suas amigas sofrerão.
- Obrigada pela dica, mas isso não é hora de fazer brincadeiras com as pessoas.
- Já informei o que a senhorita precisa fazer. Seja rápida, suas amigas precisam de você.
- Se o que você diz é verdade, onde elas estão?

Antes de o homem desligar o telefone sem me responder, e me fazer ter certeza de que toda essa conversa não passava de uma brincadeira de mau gosto, ouvi a voz da Nádia ao fundo e depois a Kira dizendo com voz de choro:

- Ela não sabe o que realmente é! Não sabe dos desejos que pode... – A ligação desliga e não consegui ouvir o final da frase.

            Nádia e Kira são as minhas melhores amigas. Nos conhecemos quando elas foram morar no Orfanato Raed, um lugar aconchegante que era administrado com muito carinho pelo tio Raed e tia Ayla. O orfanato era meu lar e eu nunca soube de nada sobre meus pais biológicos ou sobre quem tinha me levado até lá, apenas que tinha sido deixada na porta quando era bebê.
No dia em que as meninas chegaram eu tinha dez anos, Nádia quatorze e Kira dezesseis. Achei maravilhoso ter novas irmãs – como tia Ayla dizia – o orfanato já estava ficando vazio e eu quase não conversava com as outras duas crianças que moravam lá. Mesmo sendo mais nova do que as novas meninas, nossos gostos eram parecidos e nos tornamos grandes amigas. Uma amizade que dura até hoje. Nádia é negra com cabelos cacheados na altura dos ombros, com olhos divertidos e um sorriso que sempre aparece na hora certa. Sempre está contando piadas e nos fazendo rir. Kira tem pele branca cor de leite e cabelo preto liso que cai nas costas até a cintura, é a mais séria do grupo, sempre ria das piadas que eu e Nádia contávamos. Mas o sorriso não chegava aos olhos e parecia que ria apenas por uma questão de educação. Sempre foi muito inteligente e gostava de ser cautelosa com dinheiro, segurança e amor.

No momento em que o homem desligou a ligação, fiquei parada, encarando a tela do meu celular que mostrava as horas e uma foto das Muralhas de Constantinopla como papel de parede. Não conseguia acreditar no que tinha acabado de escutar. Todo o ar saiu de meu peito, meu coração parou e eu tive que me sentar em uma cadeira para não cair. Não era uma brincadeira feita por um amigo. Era um homem que parecia não mentir e que estava determinado a machucar minhas amigas caso não conseguisse o que queria. Só que ele não me deu informação nenhuma e eu estava começando a entrar em pânico. Onde elas estavam? Quem era aquele homem? O que a Kira quis dizer com "ela não sabe o que realmente é”?

Kira sempre se preocupou muito com a nossa segurança, muitas vezes mais do que o necessário. Lembro-me quando decidimos alugar um apartamento em um bairro mais central em Istambul, já que o orfanato era longe e demorava muito tempo até chegar ao trabalho. Ela exigiu um apartamento com porteiro e câmera de segurança. Nunca foi de conversar com quem não conhecia e não tinha o costume de andar sozinha. Então, como uma mulher de vinte e cinco anos, inteligente e totalmente cuidadosa pode acabar como vítima de um sequestro? E o que três meninas órfãs poderiam ter pra oferecer como recompensa?
Olhei pra dentro da cozinha e vi o interfone. Me levantei e fui até ele. Depois de chamar três vezes, eu estava quase desistindo e desligando, e uma voz simpática me atendeu.

- Bom dia! – Disse uma voz ofegante
- Bom dia senhor Osman. Por favor, o senhor poderia olhar nas filmagens de ontem e verificar quem me trouxe pra casa? – Tentei manter minha voz desinteressada para não preocupar o porteiro que era um senhor de idade.
- Claro senhorita Samira. Um momento.

O senhor Osman era um senhor simpático de cabelos brancos e rosto sorridente. Ele tratava todo mundo com muito carinho e eu sempre me senti bem ao seu lado. Mas hoje eu ia preferir que ele fosse mais jovem e, principalmente, mais rápido. Passaram-se três minutos e a angustia já estava me consumindo.  

- Desculpa Samira, mas acho que teve algum problema com as filmagens.
- O que aconteceu?
- A filmagem mostra a hora que vocês saíram, mas não sei como a senhorita chegou ao seu apartamento. Verifiquei da hora que você saiu até agora e em nenhum momento mostra a sua volta. Olhei os vídeos da portaria e da garagem.
- Obrigada senhor Osman. Deve ser apenas algum problema com o sistema de vídeo.
- A senhorita está com algum problema?
- Não. Apenas fiquei curiosa. Acho que bebi um pouco demais ontem. Obrigada.
- As ordens.

Tentando respirar para não desmaiar, fui lembrando o que a voz havia me falado, me levantei e fui até uma estante de livros que ficava no meu quarto. Peguei a pequena caixa de veludo azul que continha o presente que Nádia e Kira me deram de aniversário antecipado, já que meu aniversário era só daqui uma semana, e decidi que iria atrás da única pessoa que poderia me ajudar.
            Peguei minha pequena bolsa preta e coloquei meu presente e celular dentro, caso o homem voltasse a ligar. Fui em direção à porta de saída que tinha ao lado um espelho vertical, colocado estrategicamente para os últimos retoques no visual quando íamos sair para as festas. Ao olhar meu reflexo, a imagem da mulher morena que estava me olhando me fez dar um passo para trás, e naquele momento eu consegui entender a dor fora do normal que estava sentindo no meu corpo.

- Meu Deus! O que aconteceu comigo?

            Meu cabelo castanho estava sujo e despenteado. Pouco abaixo do meu olho esquerdo tinha um corte que parecia ter sangrado, mas que agora estava com sangue seco grudado ao machucado e tinha uma cor meio arroxeada, meio amarelada contornando todo o corte. Passei as pontas dos dedos levemente no olho e senti uma dor insuportável com o mais leve dos toques. Foi assim que vi que meus dedos da mão direita estavam com as juntas vermelhas e doloridas. Nos meus braços, um pouco abaixo do ombro, tinham marcas vermelhas como se tivessem sido apertados com bastante força.
            Olhei para o meu reflexo com horror, além das feridas aparentes, todos os músculos doíam e eu estava muito suja. E o mais apavorante era que eu não lembrava como aquilo tinha acontecido."

Por favor, me dê sua opinião. =)



8 comentários :

  1. O pouco que li deu vontade de continuar...rsrsrsr...mas vai ser um livro de suspense...de fantasia? Vai ter romance? Espero poder ler o livro todo!!!

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  2. Oie,
    não entendi o gênero só pelo trecho que postou.
    Posta mais um pouco :D

    bjos
    http://blog.vanessasueroz.com.br

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  3. Oie
    Achei instigante e com vontade de continuar lendo para ver o desenrolar da história. Curti bastante.

    Beijos

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  4. Gostei da premissa do livro Clarissa. Você escreve muito bem, além de trabalhar o suspense de forma esplêndida. Sucesso querida! Beijo!

    www.newsnessa.com

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  5. Ahh que lindo amiga, nossa você tem uma fluência perfeita e sabe casar direitinho as palavras. Acho que é do gênero fantasia né, bem do jeitinho que você gosta. Posso ser sua leitora beta, hehe.

    Beijão enorme, Vanessa.

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  6. Great post
    Would you like to follow each other ? I'll follow back after it

    Www.miharujulie.com

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  7. Oi Clari, tudo bem?
    olha, confesso que este primeiro capítulo me deixou bem curiosa para saber como será o desfecho da trama eim! acho que você está seguindo um caminho ótimo!
    este não é normalmente um tipo de gênero que me agrade em tramas, mas a sua me deixou curiosa.
    você já tem mais coisas escritas? se ainda não tem, trate de continuar! hehe
    beijos

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  8. Oi Clari,
    UAL! Gosto de primeiros capítulos que introduzem um mistério. É basicamente toda a sinopse num primeiro capítulo e deixa o leitor curioso. Continua nesse caminho que tua história está ficando ótima. O que será que aconteceu nessa noite misteriosa? Confesso que me deu um pouco de medo desse lance da câmera não mostrar ela voltando kkkkk #sinistro.

    Beijos,
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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