Charlote - Mildo Léo Fenner


Sobre:

Uma história de amor que acontece entre os anos 1839 e 1864 em dois continentes: é o que conta o advogado de Cachoeira do Sul, RS, Mildo Léo Fenner, em seu primeiro romance, “Charlote”, distribuído pela Editora Oikos.

Ao longo de quase 150 páginas, Mildo relata os momentos de tristeza, alegria, insegurança e coragem da personagem Charlote, que um dia teve que decidir  entre ficar em seu país, a Pomerânia, próximo ao Mar Báltico, na Europa central, hoje Polônia,  ou aventurar-se por um mundo desconhecido, enfrentando  perigos  e  riscos de todo o tipo.  A história traz  como pano de fundo os costumes, as festas, a culinária, as doenças e  valores da época.

Opinião:

Raramente encontro livros com o tema 'imigração alemã', eu particularmente me interesso muito pelo tema pois, como moro numa cidade predominantemente colonizada por alemães e/ou pomeranos e, sou de origem alemã, é natural o meu interesse particular pelo assunto.


A literatura tem o poder de resgatar a história, seja ela por meio da ficção inspiarada ou baseada em fatos reais ou simplesmente contando fatos verídicos. No caso de 'Charlote', a trama aqui contada baseia-se em fatos reais, porém, é dotada de ficção romanceada sobre uma das épocas mais importantes do sul do país afinal, nem só de revolução farroupilha se faz o Rio Grande do Sul não é mesmo.

O subtítulo de Charlote é 'Sonhos, tristezas, e uma história de amor em dois continentes'. Charlote é a personagem principal. Ela é casada com Leon, os dois conheceram-se ainda na Pomerânea, na cidade de Hundskopf onde hoje é a Polônia. Leon e sua esposa, vieram com os cinco filhos ainda crianças para o Brasil (três meninas e dois meninos), mais precisamente para a Colônia de Santo Ângelo, uma terra inabitada, porém de grandes expectativas, ao menos era assim que pensavam todos que arriscaram a penosa trajetória de um país à outro, de um continente à outro, na esperança de melhores oportunidades, da terra própria, da vida tranquila.


A vinda dos imigrantes pomeranos ao sul do país, deu-se por conta de um projeto do governo local que visava a colonização desta terra quase desabitada. A família de Charlote faz parte da segunda leva de imigrantes que aqui desembarcaram.

Ao chegarem aqui, o que encontraram não foi exatamente o prometido. Na verdade, a viagem em si foi difícil em quase todos os momentos, partiram de trem até a Alemanha (Hamburgo), embarcando num transatlântico e chegando ao Brasil em 1857/1858. Durante o período passado no transatlântico, uma tragédia se abateu sobre a tão esperançosa e confiante família, Sofia, a primeira filha mulher do casal veio a falecer com apenas 07 anos de idade. Foi tudo muito rápido e Charlote, fica extremamente abalada chegando a repensar a tão pensada decisão de mudar-se com a família toda para um lugar desconhecido.


Não sei se foi o intuito do autor, mas este livro acabou por demonstrar a força da mulher nas decisões mais importantes pois, apesar de Leon não ser um personagem acomodado, ele deixa nas mãos da esposa a decisão tão importante de aventurar-se num continente estranho cujas histórias contadas no 'boca a boca' não eram nada estimulantes. Muito se falavam dos habitantes do Brasil, diziam que era um povo arisco e canibal (índios), sem contar nos animais perigosos e peçonhentos que andavam livremente por todos os lugares.

Mesmo com tudo o que falavam, predominou a vontade de buscar uma vida melhor e, mesmo enfrentando perdas, sofrimentos, a saudades dos que ficaram e eventualmente alguma dúvida sobre a atitude tomada, Charlote e Leon e optaram pela aventura pela esperança da conquista, pela confiança no prometido e principalmente pela certeza de estarem fazendo a coisa certa.


Foi sem dúvida uma leitura emocionante do começo ao fim, ainda mais sabendo que a trama aqui retratada é a história real do sul do país, do Rio Grande do Sul. Este livro centrou-se mais na região onde hoje encontra-se a cidade de Agudo, mas a colonização acabou por se espalhar por todo o território gaúcho, inclusive aqui na minha cidade, São Lourenço do Sul.


Charlote é um dos livros mais lindos que já tive o prazer de ler, com certeza uma história muito especial e que merece ser lida e relida várias vezes. Recomendo a leitura!

O autor:


   Mildo   refere    que  sempre teve curiosidade em relação ao tema da imigração e desde fevereiro deste ano  resolveu passar tudo  para o papel,  o que fazia depois de encerrados os trabalhos diários da advocacia. “Foi um momento de terapia escrever esta história”, diz ele, explicando que a ideia não era simplesmente fazer um relato frio  ou glamuroso  desta pessoa e sim mostrar que era um ser humano como tantos outros, com erros e acertos.

A apresentação  é da professora de Português e Literatura Magda Scotta, que define como “singular” a história apresentada. E os motivos para esta definição, segundo ela, começam na força da  personagem principal,  cujo nome no francês e no germânico significa “aquela que é forte, mulher, mulher do povo.”  A professora  destaca que  “Charlote  é um presente  à comunidade no ano em que se comemoram os  190 anos da imigração alemã” (1824-2014).

Atualmente  trabalhando só na advocacia de Cachoeira do Sul,  Mildo Fenner  teve passagem pelo Jornal do Povo daquela cidade durante quase dez anos, onde foi repórter, colunista e  editor-chefe, escrevendo também sobre cinema e livros.  Formado em Letras, foi ainda professor de Literatura e Português em diversas escolas do município.


O livro pode ser adquirido através do e-mail mildofenner@hotmail.com ao preço de R$ 26,00, mais despesas de correio.




4 comentários :

  1. Olá! Te indiquei em uma tag de "Trechos de Livros" lá no meu blog! Confere lá!
    http://vorazesleitoras.blogspot.com/2015/10/tag-trechos-de-livros.html

    Beijos!

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  2. Oi Van!
    Menina, que livro é esse? Já estou sentindo que vou adorar!
    Bjks!
    http://www.historias-semfim.com/

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  3. Gostei do livro e o tema é diferente, né! Parece muito bom. :D

    Beijos,
    http://postandotrechos.blogspot.com.br/

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  4. Oie Van!
    Que resenha hein!
    É uma história bem diferente, e me deixou muito curiosa.
    Dica anotada!!
    Beijos!

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