Resenha da Grazi: Laranja Mecânica - Anthony Burgess



Título: A Clockwork Orange (Laranja Mecânica)
Autora: Anthony Burgess
Editora: Aleph
Número de páginas: 448
Classificação:


Sinopse:


Laranja Mecânica - Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo. Agora em nova tradução brasileira e edição de luxo pela Editora Aleph.



Opinião:

O enredo de Laranja Mecânica se passa numa sociedade futurística e conta a história de Alex e seus druguis. Eles são uma das muitas gangues de jovens dessa sociedade, que aterrorizam as ruas pela noite. Em uma de suas ''ações'', que eles chamam de ''ultraviolência'', Alex acaba sendo pêgo pela polícia depois de ser traído pela sua gangue e vai para a prisão. Lá fica sabendo do ''Método Ludovico'', que aparentemente é a forma mais fácil e rápida para sair da prisão, então Alex submete-se a cobaia desse experimento. O método em questão é um tipo de condicionamento anti-violência que consiste em provocar dor e incômodos no indivíduo enquanto ele assiste a cenas de violência. A intenção, é claro, é extinguir o impulso selvagem dos prisioneiros e obrigá-los a comportar-se bem para evitar o desconforto. Quando o método torna-se conhecido pelo público, como não poderia ser de outra forma, Alex acaba por tornar-se uma arma contra o governo.
  

Bom, dito isso, resumindo a história sem contar demais (afinal, eu creio que metade dos seres humanos já assistiu ao filme, a outra metade já ouviu spoiler demais dos outros) posso comentar um pouco sobre a experiência de ler o livro e sobre essa edição poderosíssima e de muita responsa produzida pela Aleph em comemoração aos 50 anos de Laranja Mecânica.




O livro é dividido em três partes, cada uma com sete capítulos. A parte 1 se passa até pouco antes de Alex ser preso, mostrando os atos dele e seus comparsas. Eu diria que pode ser uma passagem um tanto desconfortável de ler, caso você tenha sentimentos que se aflorem muito fácil ;) Uma vez que você se lembra que Alex tem apenas 15 anos, não consegue imaginar como conseguiu se tornar tão cruel. É violência por violência mesmo.

A parte 2 é já na prisão e se passa com Alex descobrindo e submetendo-se ao Método Ludovico. Novamente, pode ser desagradável para ler. No meu caso, depois de ver o filme, o livro foi bastante tranquilo de ler. O filme é muito mais visual. Enfim. Essa parte é referente às torturas que Alex passa na prisão. A parte 3 é Alex já de volta a sociedade, ''reformado'' pelo método. De certa forma, é nessas duas últimas partes que dá pra você viajar sobre as intenções de Burgess ao escrever sobre lavagem cerebral. O governo obviamente tentando controlar o instinto humano da forma errada, o ser humano que nunca realmente se conserta (o filme do livro deixa isso bem claro). Dá pra refletir se isso seria uma opção viável (cheguei a conclusão que não), uma óbvia crítica ao sistema carcerário ou possivelmente tem como tema também o amadurecimento do ser humano (afinal, Alex tinha 15 anos no início do livro).

Toda a história é narrada em primeira pessoa pelo Alex, o que torna todas as descrições ainda mais cruas e interessantes. Há também o famoso linguajar adolescentes nadsat que é uma junção de palavras inglesas e russas. Preciso mencionar aqui o incrível trabalho de Fábio Fernandes, responsável pela nova tradução do livro. Um dos extras dessa edição é uma Fábio contando como foi difícil fazê-la sem perder o sentido e originalidade da língua para a história. Confesso que de início é complicado ler as palavras que não parecem fazer sentido nenhum, mas aconselho é não ficar consultando o glossário (sim, tem um) o tempo todo. Conforme você vai lendo, os termos vão ficando familiares e os novos ficam mais fáceis de serem interpretados. Creio que a intenção de Burgess foi causar essa estranheza, esse impacto, na leitura. Então, sigamos a vontade do mestre. Apesar disso, a leitura é muito, muito fluida mesmo. Super tranquila de ler, você vai passando que nem percebe.

Há uma coisa estranha na leitura, que eu não sei se foi intencional ou não, mas eu meio que odiei e adorei o Alex ao mesmo tempo. É um mix de sentimentos muito louco a cada capítulo. Raiva, nojo, pena, ódio, pena de novo e até simpatia. Alex é fã de música clássica! Lembro-me de uma das cenas do filme, que foi super comentada e polêmica, quando o Malcolm McDowell (que interpreta Alex brilhantemente) achou de começar a cantar Singing in the rain numa das cenas mais violentas. Foi de arrepiar. Mas enfim.

Se a intenção de Burgess foi nos fazer refletir sobre a complexidade humano, governo e sociedade, ele conseguiu. Tô viajando até agora.

Sobre a edição:
  

É ma ra vi lho sa. Vale cada centavo investido nela. É cada dura, tem uma jacket, tem várias extras incríveis, como ilustrações, ilustrações e textos originais do Burgess e artigos inéditos na língua portuguesa e uma entrevista também inédita. É super bem decorada, tipo, a diagramação é linda, as folhas - esqueci qual o nome - são daquele tipo que parece de plástico. O número de páginas que eu pus ali em cima é referente a história mais os extras. Acho que o enredo são 352 páginas.




Enfim, a Aleph mandou benzaço tanto na escolha da publicação, quanto nessa edição aí. Fiquei extremamente apaixonada. Menina de ouro da minha estante.
  

Sobre o filme:



Um dos filmes mais aclamados de Stanley Kubrick, a adaptação cinematográfica de Laranja Mecânica foi muito mais que aprovada por Burgess, então quem somos nós pra dizer se é boa ou não. Ela é f*** e acabou. Nessa edição do livro, Burgess comenta sobre suas impressões do livro e diz que mesmo sendo a adaptação do seu livro, Kubrick conseguiu colocar sua própria marca na história. É muito, muito cru e dá desconforto em assistir, claro que dá, mas eu recomendo muitíssimo.



12 comentários :

  1. Oie!
    Acredita que nunca li esse livro ou assisti ao filme? Sério, sempre tive um certo preconceito com o nome, e nunca procurei para saber, rs. Muito interessante essa trama, e vou procurar para ler.
    Bjks!
    http://www.historias-semfim.com/

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  2. Oi Grazi. Tudo bem?
    Eu já assisti o filme, porém nunca li o livro.Eu gostei bastante da sua resenha e pode ter certeza que vou tentar adquirir o livro logo, pois vale a pena ter.

    Bjos

    http://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Grazi
    Eu nunca assisti ao filme e nunca recebi spoiler dos outros, então estou de boa kkk Conheço o básico dessa história. Pretendo um dia lê-la, mas não é algo que eu esteja morrendo de vontade pra fazer.
    E essa edição é mesmo muito linda, mas seria estranho se eu dissesse que prefiro aquela paperback? Apesar de amar livros de capa dura, aquela edição me parece ser mais bonita kkk

    Beijo,
    João Victor - De cabeça para baixo | All POP Stuff

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    1. Eu entendo. A capa paperback também é muito bem feita! E que sortudo você kkkk

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  4. Eu tenho uma vontade enorme de ler esse livro. Eu sei que ele é um pouco violento, e sinceramente não me importo com isso. Gosto de histórias mais intensas assim. Nunca assisti o filme, mas acho que primeiro irei ler a obra. A leitura parece ser realmente daquelas que fazem o leitor sentir um misto de emoções.
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  5. Grazy, eu faço parte da metade da população que não assistiu ao filme, mas que já pegou spoilers sobre a história. Já tentei ler o livro, baixei ele e iniciei a leitura bem esperaçosa de gostar, mas fui impedida pela narrativa extremamente complicada... Já vi muitas pessoas falando que se a gente der uma insistida boa, a leitura acaba fluindo, e eu ainda quero retomar a leitura, com certeza...

    Beijão e parabéns pela resenha!

    Van Meiser - Retrô Books

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    1. A linguagem é muito louca mesmo no início, mas vocÊ acaba se acostumando. Vale a pena!

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  6. Olá Grazi, tudo bem?


    Esse livro está na minha lista de desejados e minha curiosidade é tão grande que nem sei porque ainda não comprei essa obra.....kkk....mas esse dia vai chegar....bjs.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  7. Olá
    Acredita que eu não sabia nada sobre esse livro? escuto pessoas falando dele, mas nunca parei pra ler nenhuma resenha. Pelo que li aqui, eu não sei bem se gostaria do livro mas não posso negar que é um livro curioso e que tenho interesse de ler pra matar essa curiosidade

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    1. Não é um livro que agrade a todo mundo mesmo, mas é sempre bom tentar haha

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